Empresários indignados com decreto da Sefaz

Out 31, 2017 No Comments by

“Indignado”. Essa foi a palavra que mais se ouviu ontem na reunião extraordinária na ADIAL (Associação Pró-Desenvolvimento Industrial do Estado de Goiás) quando se abriu o microfone para a manifestação para que dezenas de empresários de diversos setores se posicionassem sobre o Decreto 9.075, da Sefaz-GO, que reduz benefícios fiscais e aumenta a contribuição do Protege. Mais de 70 executivos de grandes empresas e líderes de várias entidades participaram do encontro.
Além dos industriais, participaram varejistas e atacadistas que também manifestaram a frustração com o governo estadual, que assume o discurso de defensor dos incentivos fiscais e de desenvolvimentista, mas toma atitudes fiscalistas agressivas, que vai completamente contra seu discurso.

Transparência
Para o presidente da ADIAL, Otavio Lage de Siqueira Filho, é preciso que esteja claro para a sociedade que modificar a política fiscal é modificar também a política de investimentos do Estado e de preços da empresas. “Não tem almoço grátis na economia. Se tivermos menos impostos, seremos mais competitivos e vamos gerar mais empregos, mais investimentos e menos preços. Sempre deixamos isso muito claro para a sociedade, das vantagens da nossa política de desenvolvimento regional via incentivos fiscais, da forte industrialização. Se retirar parte desta política de desenvolvimento, seja via incentivos ou benefícios, teremos impactos que virão também nos preços, empregos e investimentos. É preciso dar transparência a todos para saber que as escolhas geram consequências positivas e negativas. Quando empresas forem embora, investimentos deixarem de ocorrer e preços subirem, não venham tentar culpar os empresários”, explicou Otavinho.
E porque teremos impacto? Com mais impostos, as empresas com quem concorremos, que atuam em outros Estados, vão ocupar nosso mercado, inclusive, em Goiás. Vamos perder espaço para nosso produto que chega com preço competitivo em São Paulo, Minas, Nordeste e Sul, por exemplo. “Nosso produto vai chegar mais caro”, disse.

Competitividade e preço
Para o presidente da ADIAL Brasil, José Alves Filho, vamos perder o que levamos anos para conquistar. Ele disse que a questão que está em debate não é renúncia fiscal ou arrecadação, mas sim competitividade e preço.
“Quando não tiver o que tributar, não terá o que renunciar.”
O clima está muito ruim, aponta José Evaristo do Santos. “O setor varejista está apreensivo. O atacadista e distribuidor, revoltado. Sempre tivemos bom diálogo com o governo na busca de soluções, mas desta vez, não funcionou. Todas as vezes que o governo toma decisões sem ouvir o empresário, acaba errando”, disse o líder do setor, apontando que o estudo do TCE que teria influenciado o decreto precisava ser melhor compreendido, pois números não batem e precisam ser discutidos.

Desinvestimentos
Vários empresários manifestaram no encontro o interesse em adiar, suspender ou paralisar atuais ou estudos de investimentos para 2018 no Estado. Duas empresas já fizeram anúncios no fim de semana de que devem revisar suas políticas de novos investimentos em Goiás – Laticínios Bela Vista e Creme Mel – e outros quatro executivos, espontaneamente, somente na reunião de ontem, disseram que devem seguir o mesmo caminho – no entanto, pediram para ainda não divulgar o nome pois precisam passar decisão internamente pelos conselhos.
“Será uma perda enorme para Goiás em empregos e investimentos, visto que assistimos Estados do Centro-Oeste anunciar e receber grandes volumes de investimentos. No Mato Grosso, a cada 30 dias, anunciasse um grande investimento. No Mato Grosso do Sul, a expansão é forte. Mantido o decreto como está, Goiás será não apenas o Estado que vai receber menos investimentos, mas o que mais vai perder indústrias. Com o enfraquecimento dos nossos programas de incentivos, a cada dia é mais comum empresários nos procurarem para relatar que outros Estados estão oferecendo condições melhores para transferir todo – ou gradativamente – seus negócios. É uma realidade, antes fazíamos isso porque éramos atrativos e ousados, hoje, a realidade mudou muito”, disse Edwal Portilho Chequinho, diretor-executivo da Adial.

Negócios

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